Roberto Antônio Finatto, Márcio Freitas Eduardo e Jóice Konrad
Resumo: Os sistemas orgânicos de produção agropecuária estão ganhando cada vez mais espaço no campo e no mercado. Isso é resultado da necessidade de alternativas à produção agropecuária convencional, caracterizada, entre outros aspectos, pelo seu elevado impacto ambiental. Assim, nas últimas décadas, o setor privado, as instituições públicas e a sociedade civil (movimentos sociais populares, ONGs, associações, coletivos, entre outros) passaram a desenvolver sistemas de produção fortemente amparados em princípios ecológicos. Diante disso, este artigo tem como objetivo identificar e analisar a caracterização da produção orgânica no país, com destaque para a sua evolução e espacialização. Trata-se de um estudo exploratório com o intuito de revelar a distribuição da produção orgânica no território brasileiro. A pesquisa foi realizada com base na revisão de literatura e na análise dos dados do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), fornecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O número de produtores orgânicos, entre 2013 e 2023, apresentou um aumento de quase 400%, com predomínio da certificação por auditoria entre os mecanismos de avaliação da conformidade orgânica. As regiões Sul, Nordeste e Norte, em 2023, possuíam o maior número de produtores. Apesar do avanço, a pandemia de Covid-19 e a recente desestruturação das políticas públicas para o setor têm impactado nas tendências até então identificadas no cenário da produção orgânica brasileira.